quinta-feira, 2 de abril de 2009

Caixinha de Pandora



Como nasce o ser humano?
É bem certo que muitas respostas podem ser construídas para a mesma pergunta, de acordo com a ótica de interpretação, e acredito que não seria diferente para a pergunta acima levantada.
Alguém que levasse em conta apenas a questão biológica poderia dizer que esse nascimento se dá a partir do encontro e fecundação entre gametas - masculino e feminino -, onde se processaria a gestação até chegar o momento de expelir-se a nova cria, quando esta sairia da barriga da mãe.
Já alguém que levasse em conta os princípios religiosos poderia afirmar, dependendo da sua crença, que, somado ao afirmado anteriormente, teria que haver uma alma e um espírito que viesse conferir o sentido de humanidade ao ser homem/mulher. Havendo, portanto, uma questão divina para a idéia discutida.
Sociológos poderiam afirmar que após o nascimento seria necessário a convivência em sociedade, pois o tornar-se humano não se confere no isolamento, mas, assumindo-se real apenas na convivência com o outro, na troca de experiências, na promoção de aprendizagens grupais.
Somem-se às respostas aqui apresentadas outras tantas que poderiam serem dadas e que iriam, longe de esvaziar a questão, torná-la ainda mais pertinente.
Iriam variar apenas de acordo com as subjetividades inerentes, com as formações cognitivas, políticas, como também de acordo com as crenças, com a temporalidade e com as noções sobre o tornar-se humano.
Não pretendo aqui por um ponto final sobre a questão, mas torná-la ainda mais inquientante. Acredito que quanto mais indagações tivermos mais oportunidades surgirão para buscarmos respostas, para serem promovidas as mudanças necessárias.
Quero aprenas acrescentar algumas questões que para mim são relevantes e que vêm, no meu ponto de vista, nos fazer questionar sobre o quanto temos construído de humanidade em nós mesmos.
Acho que além dos pontos apresentados, não negando suas pertinências para o tornar-se humano, podem ser acrescentados outros tantos e que são da ordem das escolhas, das decisões, dos valores, da subjetividade, do consciência politítico-cidadã, da consciência sobre o nosso papel no mundo, dos direitos e deveres entre tantos outros.
Uma boa pergunta que nos podemos fazer em relação a essa questão é sobre onde foi parar a bondade humana.
Mas, não aquela bondade que se apieda das tragédias veiculadas cotidianamente, em forma de exploração, nos veículos de comunicação de massa ou que nós faz esmolar um pedinte que passa, que nos deixa triste quando vemos uma criança de rua, um cão abandonado. Não falo dessa bondade de sobejo.
Não que ela não seja importante, muito pelo contrário. Ela é um sinal de alerta da nossa humanidade adormecida e tem que existir sempre. Mas, não me refiro a ela por ser uma bondade de de vez em quando, de necessidades maiores e que se instala até em outros animais inferiores ao verem um outro sofrendo.
Falo aqui daquela bondade de todo dia, aquela que nos faz evitar o aproveitar-se dos cofres públicos, da fraqueza alheia.
Falo daquela bondade tão espontânea como o abrir dos olhos de todos os dias após uma longa noite de sono.
Falo da bondade de tratarmos a todos por igual, do não expressar o carinho afetado, quando queremos algo em troca e que assusta o outro que vai logo dizendo - "Diga logo o que você está querendo!".
Essa bondade natural, em meu ponto de vista é de fundamental importância para o assumir-se humanemente. Mas, essa tem se perdido em face de um mundo tão capitalista, consumista e indiviualista.
De certo o ser altruista não está muito em voga em nossos dias. O ser tem sido esquecido em face do ter.
Em um contexto assim o "ser humano" (aquele que é consciente de si e do outro) encontra cada dia menos espaço de sobrevivência. Ele passa a engrossar a lista dos animais em extinção.
Será que ainda existe entre nós alguém que guarde essa fórmula de sobrevivência?
Há ainda quem guarde o verdadeiro segredo da humanidade?
Ou será que este segredo morreu com nossos antepassados?
Espero que ainda existam aqueles, mesmo que poucos, que se lembrem de como reencontrar o espírito perdido.
Espero que possam por fim nos apresentar a chave.
A chave que guarda o mistério do ser humano dentro da caixinha de Pandora!

2 comentários:

  1. Lindo!
    Gostei muito.
    A eterna "guerra" entre o ter o ser é inerente ao ser humano.
    Mas, eu deixo aqui uma pergunta:
    Por que será que o capitalismo se mostra cada vez mais dominador?

    ResponderExcluir