segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dor


Eu não sei explicar de onde.
Quando percebo ela já está aqui comigo, em meu peito.
É uma dor sem origens.
Dor de falta, de medos, incertezas.
Dor do sonho sufocado, aquele que desenhei azul, que alei com asas da minha imaginação...
Essa dor é também a dor do outro, daquele que me sensibilizo, que me ponho em seu lugar e consigo sentir sua agonia e tristeza - como dói doer assim...
Essa dor pesada que chega quando não espero parece nunca querer ir embora, embora dure apenas o tempo necessário de purificar minha alma.
Essa dor é dor que me faz em cinzas, mas também é dor que me leva ao renascimento.
Agora que chegou é dor de sua falta.
Dor do pouco tempo que pretendia ser grande e que de fato o foi.
Pois, mesmo tão pequeno em horas, foi um longo tempo do coração.
Foi o tempo necessário para preencher espaços, os mais intimos, os mais desconhecidos.
E tudo estava tão repleto que esvaziar-se assim causou dor.
Dor da falta do cheiro, do riso fácil.
Essa dor se me derrama pelos olhos, me faz cachoeira...
Me faz lembrar dias de invernos: frios, escuros, longos, solitários.
Talvez eu esteja inverno...
Minha alma treme em frio.
Meu corpo recolhe-se sob o cobertor.
Meu peito chora...
A dor me nega sua presença ou quem sabe sua ausência é quem me cause a dor.
Sei que a dor é por medo, por proteção.
Medo de perder o que de fato nunca tive e talvez não o tenha por me proteger da dor da perda.
Dor de contradição.
Dor de existência, da falta dela...
Dor parida das lembranças de outras dores.
Dor que me aproxima de você e que me afasta de mim mesmo.
Dor já de saudades...

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