terça-feira, 31 de março de 2009

Confissão


Eu poderia falar de flores, mas não teria a competência de descrever suas cores, seu perfume, elegância...
Eu também poderia falar de amores mas me perderia no emaranhado de sua completude, nos enlaces de corpos que se unem, na cumplicidade que se entende com olhares...
Poderia ainda falar de saudade, mas não saberia descrever aquela dor que rasga a alma, que parte o coração ferido e que faz chegar aos olhos toda a sua pujança em um mar de lágrimas que lava o rosto e que faz soluçar o peito enamorado...
Eu poderia falar de sonhos, mas não saberia dar cor ao azul, nem fazer notar a maciez das nuvens que povoam o imaginário da mente que se liberta das dores e viaja por esse país de fábulas e universo de seres angelicais...
Eu poderia ainda falar da lua, mas não seria capaz de revelar o seu encanto prata, a sua solidão noturna acariciando a face das águas e irradiando os amores proibidos...
Eu poderia falar do mar, mas não poderia descrever em palavras o movimento das ondas que se vem render submissas aos pés da areia...
Eu poderia falar das estrelas, mas não teria a competência para transformar em palavras os seus enigmas cintilantes...
Eu poderia falar daquilo que és para mim mas não saberia caber num texto o tamanho do sentimento que se desprende da alma e que invade espaços que nem sei existirem...
Não sei falar de mim, nem de ti...
Pouco te conheço. Nada sei de mim além daquilo que sou em cada momento vivido, em cada instante de fôlego.
Falo palavras que nao penso
Penso coisas que não digo...
Ajo por impulso, também me reprimo
Busco em meu interior estrelas que vi brilhar um dia, amores que se perderam para sempre.
Incompleto tento me encontrar.
Tento te achar sem saber quem és, onde estás...
Seu ao menos eu soubesse, falaria... das flores, do amor, da lua, das estrelas...
Mas, como falar se tudo que sei é exatamente que nada sei...?

Assumindo o ser nada!


Hoje, estou aqui para falar de nada!
Mas, não de um nada vazio de conteúdo... aquele nada que nos referimos quando queremos dizer que alguém "falou, falou e não disse nada"!
Pretendo falar de um nada mais concreto. Um nada que apesar da subjetividade que carrega em si mesmo é dotado de uma magnitude substancial.
O nada não é apenas a negação da exisência de algo, o vazio completo.
Ele também representa as oportundades negadas, a falta de escolha, a ausência de nós mesmos.
Quantas vezes temos assumido a passivadade do nada por não nos encontrarmos dentro de um universo que somos nós mesmo? Nesses momentos parecemos ser uma alma que habita um corpo estranho, que se encontra desprovida do sentido da existência...
Ser esse nada dói, e não dói por causa do outro, devido a falta de alguém ou algo importante, mas dói pela falta que sentimos de nós mesmos, pela falta do prazer da nossa própria companhia, pela falta do bem estar da nossa aparência, pela falta do amor próprio, pela falta de cor da nossa alma.
Quem nunca viveu esse fase do nada ser?
Eu ja vivi...
Acredito que muitos de nós já vivemos, afinal é uma condição humana...
Mas, esses momentos do sentir-se vazio são importantes para a nossa maturação, para a reflexão das nossas escolhas, tomadas de atitudes, enfrentamento da realidade.
Sentir-se nada é condição fundamental para nos tornarmos aquilo que desejamos, apossar-se daquilo que viria nos completar. Às vezes o ser nada é a única opção que temos para aprender!
Se nesse momento você se sente um nada. Não se julgue incapaz. Reflita. Acredite. Aceite-se. Mature-se...

Desperta deste casulo que lhe tolhe os movimentos, que lhe aprisiona a alma, lhe torna crisálida...
Não tema romper a casca (há de se ter coragem para isso).
Por fim verá que o grande desafio era apenas encarar você próprio e não o mundo lá fora. Afinal não importa de fato o que os outros pensam sobre a gente, importa mais o que pensamos sobre nós mesmos, importa aquilo que assumimos ser.
Vença os desafios!
Crie asas.
Ainda podemos deixar de ser nada.
Alce os vôos das borboletas, adentre os portões da liberdade, colha as flores da existência.

Café ou Chá?

Às vezes a gente nem sabe por que aconteceu...

De repente, já está lá.
Vem a idéia. Essa dorme a sonolência necessária a sua maturação, transforma-se em cócegas que massageiam o cérebro até explodir em um turbilhão de letras que se arrumam em palavras, essas em frases e as últimas em texto.
Pronto...
Eis como se processa a gestação e a parição da escrita.
Nem é preciso falar que antes disso teve a fase do namoro, onde os olhos se deliciaram com a leitura, achando-a formosa, contornando suas curvas, invandindo suas entrelinhas... Outras vezes a leitura é chata, sem graça, desapetitosa mesmo, representando o paradoxo de toda namoro que se preza.
No ápice da libido acontece o coito, onde as idéias do leitor se chocam com as idéias da escrita, gerando um novo saber que, após meses encubado, põe por fim sua cara no mundo.
Daí a gente inventa de por tudo no papel...
Mas, o papel se torna pequeno demais para tanta idéia que se reproduz...
A gente então acha que é tempo de criar um blog, porque os pensares da gente não precisam se esconder apenas dentro de nossa cabeça, mas podem invadir outros espaços, outras mentes, outras cabeças.
Isso tudo pode ser meio louco, mas também é muito real.
Motivado por esse pensar estarei aqui compartilhando idéias, fatos, práticas...
Você é convidado a me acompanhar nesse processo.
Desde já agradeço a sua visita, paciência, tolerância...
Em nosso primeiro encontro sou tentando a lhe convidar a entrar, a sentar-se, a fazer morada...
Mas, antes que eu esqueça, o que vai querer? Café ou chá?