Esse texto fiz ouvindo a música Lanterna dos Afogados, na voz de Gal Costa e Hérbet Viana. Aí está o vídeo como homenagem ao momento e para que possamos nos deliciar com essa primazia musical.
Foi olhando o pôr-do-sol que despertou para a vidaAgora mesmo, se perguntado, não saberia descrever com clareza o exato momento em que tudo acontecera. Mas, com certeza, tinha consciência da importância dos acontecimentos.
Não fôra sempre que gostava de olhar o pôr-do-sol.
Por muito tempo (por anos até) o encerrar do dia não conseguia lhe atrair a atenção, era como um fato banal.
Mas, tudo mudara...
De repente; mas, não desses de repente, de estalo; conseguiu perceber que se tornava necessário dar um outro sentido a sua vida. Ou melhor, sua vida precisa encontrar um sentido, pois começava a percebe-la desprovida disso.
As efemeridades do cotidiano já não conseguiam lhe preencher os vazios e, quando esses eram ocultados pela anestesia dos barulhos da vida agitada (tal efeito alucinógeno de drogas que disfarçam a realidade) eram despertados mais tarde pelo vazio profundo, qual cratera que se abria no peito, quando todos os barulhos cessavam.
Nesses momentos conseguia acordar das prisões disfarçadas de liberdade, das alegrias passageiras construídas com álcool, festas e noites de amores fáceis.
Fora num desses momentos, em que acordara do momento de fantasia, que descobrira a graça dos pôres-do-sol.
Esse encontrou trouxe-lhe de volta para dentro de si.
Promoveu-se um retorno às origens.
Foi tudo tão significativo que as lágrimas finalmente reencontrara o caminho dos seus olhos, após tanto tempo de ausência pela face.
Conseguia chorar sem sentir vergonha de sí mesmo.
Voltava a perceber o quanto os pequenos momentos são significativos.
O quanto faz bem à alma admirar o nascer e o pôr-do-sol, contar estrelas à noite, cerca-se de uns alguns minutos de solidão...
A felicidade é construída nesses pequenos momentos do dia-a-dia.
Quando alicerçamos o ser feliz em grandes feitos somos felizes apenas de vez em quando. Pois os grandes feitos não acontecem todos os dias.
Porém, quando decidimos ser feliz nas pequenas coisas, podemos ser feliz cotidiananemente, pois as pequenas coisas estão acontecendo ao nosso lado, dentro de nós a todo momento.
Não deixe o pôr-do-sol passar por você de uma forma despercebida.
Lembra que ele leva consigo as realizações de um dia que se foi, as frustrações, os desejos atendidos ou não.
Mas, lembra também que ele sempre vai assumir o compromisso de voltar no outro dia, trazendo consigo a esperança do recomeço.
Olhe a lua, o azul do céu e do mar...
Encontra sua criança perdida...
Escolhe a felicidade...
Recomece-se...

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