
Ela sempre lhe chamava de volta - a Terra.
Embora soubesse que ela era o seu lugar teimava em sempre se distanciar dela.
Mas, não se distanciava voando em aviões, foguetes ou naves espaciais.
Distanciava-se através do pensamento.
Há tempos (nem fazia idéia desde quando, talvez desde sempre) que aprendera essa forma rápida e barata de conhecer outros espaços, outros mundos e até outras vidas.
Dessa forma ja conhecia quase o mundo todo...
Entre as viagens mais importantes que já havia feito tinha a que o levara ao próprio interior e aquela que te levava aos mundos proibidos.
A primeira fora importante para o autoconhecimento, para expurgar os demônios interiores.
Com essa viagem aprendera sobre a fragilidade humana, sobre a existência do Deus e do Diabo que é pertinente a todos nós.
No inicío, fora muito assustador.
Nem sempre estamos preparados para encarar o lado escuro existente em nosso coraçao.
A outra viagem, com certeza era bem mais agradável
Com ela podia mergulhar no azul,
Tecer sonhos,
Imaginar o inimaginável.
Nesses horas quebrava as amarras da decência, perdia o senso dos limites...
Permitia-se correr riscos desmedidos, voar por lugares inexplorados.
Podia olhar lá de cima e correr as mãos por entre seus sonhos - nesses momentos, todos alcançáveis.
Até que era acordado pela voz da razão.
Dessa forma, sem nenhum para-quedas, caia das alturas dos sonhos e voltava a sua realidade - era o chamado da Terra.
Sabia que não podia deixar de viver a realidade, mas nunca deixaria de voar os espaços do sonhos.
Lá conseguia ser completo,
Livre de todo e qualquer preconceito.
Sentia-se Peter Pan
Sem precisar crescer.
Paradoxo de ser e querer, da razão e da emoção.
Ser ou não ser? Como diria Shakespeare, eis a questão!

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